Por
Fabrízia Ribeiro
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Você já parou para se perguntar por que nós usamos anéis de
casamento? Ou melhor, por que eles são usados no quarto dedo da mão
esquerda?
Não se sabe ao certo quando essa tradição tão difundida na cultura
ocidental começou. Alguns acreditam que os registros mais antigos da
troca de alianças venham do Egito e tenham ocorrido há cerca de 4800
anos. Naquela época, diferentes tipos de junco – que cresciam junto com o
conhecido papiro – eram torcidos e trançados para formar anéis e outros
tipos de ornamentos usados pelas mulheres.
O círculo sempre foi o símbolo da eternidade, um elemento sem começo
nem fim, valorizado pelos egípcios e por outras culturas. O espaço no
centro do anel também tinha um significado e representava uma passagem
para o conhecido e o desconhecido. Presentear uma mulher com um anel era
uma prova de amor eterno e imortal.
Pouco tempo depois, a matéria-prima dos anéis foi substituída por
materiais que ofereciam maior durabilidade, como couro, ossos e mármore.
Quanto mais caro o anel, maior era o amor de quem oferecia a peça. O
valor do artefato também representava a riqueza de quem presenteava.
Outras tradições
Em algum momento, a tradição de trocar anéis também chegou até os
romanos. Mas havia uma pequena diferença – para eles, o anel não era um
símbolo de amor, mas sim, de posse. As alianças de compromisso dos
romanos eram feitas de ferro, simbolizavam força e permanência e eram
chamadas de
Anulus Pronubus. Acredita-se também que os romanos tenham sido os primeiros a gravar os anéis.
Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock
Mas foi somente a partir do ano de 860 que os cristãos passaram a
utilizar os anéis nas cerimônias de casamento. Era comum que fossem
peças rebuscadas, entalhadas com pombas, liras ou duas mãos ligadas. A
Igreja Católica considerava esse tipo de anel como um item pagão, então
por volta do século 13 as joias utilizadas para pedir em casamento e
consolidar a união foram simplificadas e ganharam um ar mais espiritual.
Um anel, vários dedos
Os anéis de casamentos passaram por diferentes estágios ao longo da
história e já foram usados em diferentes dedos, incluindo o dedão, em
ambas as mãos. Mas existem algumas explicações que podem nos ajudar a
entender porque hoje ele é mais comumente carregado no quarto dedo da
mão esquerda.
De acordo com a tradição que vem dos romanos, o anel de casamento
deveria ser usado no dedo anelar da mão esquerda porque ali passa uma
veia que liga direto ao coração e era chamada por eles de
Vena Amoris,
ou “veia do amor”. Tempos depois, os cientistas descobriram que essa
informação é falsa, mas essa continua sendo a explicação favorita dos
românticos inveterados.
Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock
Uma outra teoria proveniente do cristianismo parece oferecer uma
justificativa mais plausível para o fato do anel de casamento ter ido
parar no quarto dedo da mão esquerda. A história conta que durante a
cerimônia dos primeiros casamentos cristãos, o padre celebrava a união
dizendo “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” enquanto tocava o
dedão, o indicador e o dedo médio com o anel, respectivamente. E ao
dizer “Amém”, o clérigo colocava o anel no quarto dedo para selar o
matrimônio.
A última explicação é mais prática e se baseia na ideia de que o
ouro, que é o metal tradicionalmente utilizado para confeccionar
alianças de casamento, sofre menos desgaste na mão esquerda, já que
grande parte das pessoas é destra. Além disso, tudo indica que o quarto
dedo foi o escolhido justamente por ser um dos dedos menos utilizados. O
dedinho, por sua vez, resultaria em um anel pequeno demais para ser
gravado e decorado, então elegeu-se o próximo dedo menos usado e que tem
um tamanho semelhante aos outros para carregar o anel.